Inovações

Wearables: o que foi uma onda passageira e o que ficou

Conhecidos como “tecnologia vestível”, os wearables ainda têm um longo caminho a percorrer para cair no gosto popular.

Era o ano de 2014 quando a Google anunciou ao mundo sua mais nova inovação tecnológica: batizado de Google Glass, os óculos prometiam uma série de recursos especiais e interações com o ambiente real, incluindo a realidade aumentada.

Mas apenas um ano depois, o projeto precisou ser suspenso pela empresa por uma série de dificuldades, inclusive em cair no gosto popular – o preço de US$ 1,5 mil era um deles.

Conhecidos como “tecnologia vestível”, os wearables seguiram adiante e reúnem atualmente uma categoria de produtos que contam com a tecnologia para determinadas funções, como a esportiva, que é a mais popular.

Segundo dados do IDC (Internacional Data Corporation), no segundo trimestre de 2017 o mercado dos wearables cresceu 10,3% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em contrapartida, a aposta da agência de pesquisas era de que 2018 entraria com 112 milhões de wearables nas lojas, mas o ano de 2017 fechou com pouco mais de 12 milhões de aparelhos, como sugere outra agência de pesquisas, Canalys.

Será que esses dispositivos realmente cairão nas graças e no gosto dos usuários ou será apenas uma onda passageira e os smartphones continuarão reinando absoluto na preferência popular?

Wearables: os smartwatches lideram as vendas

Se os óculos inteligentes ainda não caíram no gosto popular, aos poucos os wearables de pulso, como as pulseiras e os relógios inteligentes (smartwatches), já podem ser frequentemente vistos, principalmente pelos praticantes de atividades físicas.

Ainda segundo o relatório do IDC, os smartwatches são os produtos mais vendidos, cuja participação chegou a 60,9% das vendas no período da pesquisa.

Para Eduardo Endo, diretor acadêmico dos MBAs da FIAP (Faculdade de Informática e Administração Paulista), os smartwatches criam interações interessantes com o próprio smartphone dos usuários:

“Além das funcionalidades básicas que um smartphone possui, estes dispositivos fazem uma interessante integração entre dados coletados das pessoas e aplicativos dentro do smartphone, criando dados importantes relacionados à saúde das pessoas e, principalmente, gerando a possibilidade de monitoramento”, afirma.

Mas será que há uma forma de popularizar ainda mais esses dispositivos?

Os preços, de uma maneira em geral, vêm caindo ano a ano seguindo a mesma tendência de qualquer tecnologia. Porém, ainda existem muitos questionamentos relacionados à real necessidade de possuir um dispositivo como este. Entendo que preços mais baixos e a real necessidade devem fazer com que os wearables tenham uma adesão massiva nas próximas décadas”, avalia Endo.

como meios de pagamento, os wearables estão em estágio inicial e a expectativa é que aos poucos passem a fazer parte da rotina dos consumidores por conta da tecnologia NFC, que já está disponível em grande parte das máquinas de cartão, inclusive aqui no Brasil. Mas no país também temos outros desafios:

“Basicamente, os desafios para pagamentos por meio de wearables são os mesmos que temos para pagamentos por meio de smartphones, os quais estão muito atrelados à necessidade das parcerias das instituições bancárias junto às empresas de tecnologias e a liberação deste tipo de pagamento no Brasil, o que vem acontecendo aos poucos ao longo dos últimos anos. Neste cenário, ao ter esta situação estabilizada, o pagamento por wearables será uma realidade, pois muitos dispositivos já vêm com o hardware necessário embutido e pronto para este tipo de transação”, explica o diretor acadêmico dos MBAs da Fiap.

Wearables e o futuro

Se por um lado, óculos e peças de roupa ainda não caíram no gosto popular, especialistas apontam que o futuro dos wearables continuará sendo nas áreas de saúde e atividades esportivas – muito por conta da tendência de busca maior por qualidade de vida e bem-estar.

Endo concorda e vai além; para ele, os dispositivos podem sair dos pulsos e se integrarem totalmente ao corpo dos usuários:

“Acredito que no futuro os wearables devem sair do pulso e ir para as roupas e até mesmo para dentro da pele e do corpo das pessoas. Entendo também que devem ter uma função bem forte relacionada ao monitoramento da saúde e, aos poucos, devem migrar para soluções de comunicações e pesquisa”, conclui.

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