Meios de pagamento

Os impactos do novo crediário para consumidores e varejo

Mesmo que ainda não tenha sido implantado, os impactos do novo crediário já estão dando o que falar no Brasil.

Se acatado pelo Banco Central, a proposta da Associação Brasileira das Empresas de Cartões (Abecs) será mais uma opção à tradicional modalidade de parcelamento sem juros – opção adotada em 55% dos pagamentos feitos com cartões de crédito no país.

A proposta é a adoção de uma modalidade de parcelamento com juros, trazendo alguns benefícios aos lojistas.

Vamos entender melhor como pretende funcionar o novo crediário e quais serão os impactos para os comerciantes e os consumidores?

Como o novo crediário funcionará na prática

Ainda não se sabe se essa nova modalidade será aprovada, mas os impactos do novo crediário podem ser entendidos pela maneira como ele pretende funcionar.

Na prática, o novo crediário permitirá ao cliente o parcelamento de sua compra em até 24 parcelas com juros. Atualmente, existe a opção de parcelar em até 12x sem juros (as taxas costumam permanecer embutidas no preço do produto), principalmente nos grandes varejos brasileiros.

Para Ronan Maia, vice-presidente de Distribuição e Varejo da TOTVS, não se trata de substituir uma modalidade (parcelado sem juros) por outra (parcelado com juros):

“Se trata de oferecer ao cliente uma nova opção de financiamento. Nesta nova opção de parcelamento com juros, o cliente terá um limite de crédito pré-aprovado pelo emissor do cartão e poderá realizar compras parceladas em qualquer loja. Hoje, é a loja que oferece ou não a opção da compra parcelada no cartão ao cliente”, explica.

A Abecs também propõe nessa nova modalidade que as taxas de juros seriam menores e os lojistas passariam a receber o dinheiro da venda em até 5 dias após a venda, em uma única vez – atualmente, recebe-se a primeira parcela somente após cerca de 30 dias, ou em menos tempo, quando ele se propõe a pagar uma taxa maior.

Os possíveis impactos do novo crediário

Os impactos do novo crediário é um assunto que ainda está em discussão pelos diversos setores. Afinal de contas, será que existem pontos positivos e negativos para os lojistas?

Na opinião de Maia, um dos pontos positivos é a possibilidade de receber mais cedo o dinheiro da venda e, assim, otimizar seu fluxo de caixa.

“Com o parcelado sem juros, o lojista demora muito a receber, e às vezes, por necessidade do capital, faz uso da antecipação de recebíveis, o que acarreta corrosão nas margens de lucro”, explica.

Para ele, o ponto que merece cuidado é forma de comunicação dessa nova modalidade ao consumidor: “A forma que a mudança será comunicada ao consumidor poderá fazê-lo entender que está assumindo dívidas com os bancos e refugar a compra”.

Mas será que os impactos do novo crediário podem beneficiar os consumidores? A resposta pode estar na forma como o brasileiro costuma planejar seus gastos.

“Por um lado o cliente passa a ter um prazo maior para pagar, e parcelas menores, mas que poderá levá-lo a comprar produtos sem necessidade, só porque o valor da parcela cabe no bolso”, opina o vice-presidente de Distribuição e Varejo da TOTVS.

Para ele, na prática, o cliente poderá parcelar a compra em até 24 vezes com juros e, com a diminuição do valor das parcelas, poderá no fim pagar por juros mais altos e taxas embutidas nessas mensalidades – consequentemente pagando mais caro pelo produto, principalmente se ele for de menor valor. Portanto, o consumidor precisa continuar de olho e se planejar financeiramente.

E você? Na sua opinião, quais serão os impactos do novo crediário, caso ele seja aprovado pelo Banco Central?

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